DOUTOR SORRISO - Perfil Enrique - Andreia Silva

        Enrique -                                                 Foto Arquivo Pessoal

Imagine um menino, daqueles sonhadores, que desde os seus 15 anos sonhava em ser médico, em ajudar o próximo. Enrique Alcoforado Martinez não veio de uma família de muitas posses, mas, mesmo assim, o menino nunca deixou de sonhar com seu futuro, em ser o médico Enrique ou Kikinho, como é carinhosamente chamado pela mãe. Enrique sempre correu atrás daquilo que ele almejava.

            Além do sonho de ser médico, Enrique também gostava de atuar. O jovem chegou a fazer alguns comerciais e trabalhos para a escola de atores do diretor Wolf Maia, em São Paulo, que é sua cidade natal, quando ele tinha aproximadamente 20 anos.
            Apesar das participações no meio artístico, ele tinha a atuação como um hobbie, e continuava sonhando em ser médico, mas sabia que a família não teria condições de pagar uma faculdade de medicina, já que no Brasil o curso é muito caro, custa em média de três a quatro mil reais mensais. O custeio da faculdade de medicina estava longe do alcance da família de Enrique, já que a mãe dele era aposentada e o salário dele no mercado não era tão bom.
            Devido as dificuldades financeiras, ele tinha duas opções: desistir do sonho de ser médico ou passar em uma universidade pública, o que não seria impossível, mas, da mesma forma, sua mãe teria que investir dinheiro nos custos de estadia em outra cidade, alimentação e material didático. Nesse período de planejar o seu futuro, o rapaz, de sorriso largo, foi buscar outras alternativas para entrar na faculdade, e ficou sabendo que os governos de Cuba e da Rússia davam bolsas de estudo para estudantes estrangeiros. Foi aí que ele viu a possibilidade de ir para Cuba, realizar o sonho, e começou a procurar informações sobre o que seria necessário para conseguir essa bolsa de estudos em Cuba. Após persistir bastante, Enrique conseguiu a bolsa de estudos e deu início a realização de um sonho.
            O jovem ficou um ano realizando o concurso de pré-médico, onde aprendeu coisas referentes a profissão, e mais seis anos cursando ensino superior em medicina. No país vizinho, ele teve a internet confiscada, falava com os amigos uma vez por mês, em horários preestipulados. O jovem também teve que aprender a cozinhar, e a viver no alojamento da faculdade. Na universidade ele criou uma nova família, com os brasileiros que viviam lá.
            No início de 2014, realiza seu grande sonho: se tornar o doutor Enrique. Agora sim ele pode começar uma nova carreira ajudando as pessoas como sempre quis. Porém, ao retornar ao Brasil, em setembro de 2014, já com o diploma que ele se esforçou tanto para conseguir, em mãos, ele tem um problema, aqui no Brasil o diploma não vale como uma graduação, devido as normas do CFM – Conselho Federal de Medicina, que não aceita que profissionais estrangeiros atuem na medicina brasileira sem a revalidar o título de médico. Para poder atuar na medicina brasileira, ele tem de fazer a revalida.
            Enrique conta que essa prova de revalida ocorre uma vez ao ano, porém, a prova ainda não foi realizada desde que ele retornou ao Brasil, no ano passado. Então, como uma alternativa, a presidenta Dilma criou o Programa Mais Médicos, onde médicos formados no exterior podem trabalhar em Unidades Básicas de Saúde da Família, como uma forma de revalidar o diploma. Para poder começar a carreira como médico, ele optou por se inscrever no programa “Mais Médicos.”
            O processo funciona da seguinte forma: primeiro o médico coloca a cidade de nascimento e a cidade onde mora atualmente. Porém, ele não colocou o que é natural de São Paulo, e sim, que morava em Santa Catarina. Os profissionais podem citar as cidades em que gostariam de trabalhar. As cidades que ele escolheu para clinicar, ele não foi chamado, ele teve além de duas opções perto onde mora, uma opção longe, que foi a cidade de Jacundá, no Pará, na qual ele foi chamado para trabalhar.
            Nessa cidade, poucos profissionais querem trabalhar lá, por isso ele foi chamado. E mais uma vez Enrique foi atrás do seu sonho. O agora Doutor Enrique, deixou a sua família e seus amigos na cidade onde morava, e hoje já trabalha como médico no Posto de Saúde de Jacundá, no Pará. Enrique conta que vem sendo muito bem tratado, que as pessoas estão muito feliz e muito gratas pelo serviço que ele as presta, já que Jacundá é muito carente de médicos, e oitenta por cento da população é analfabeta. Na unidade de saúde, ela não trabalha apenas com a medicina curativa, mas também de forma preventiva, o que quer dizer, orientar e evitar que as pessoas fiquem doentes.
            Enrique conta que esse trabalho humanitário está sendo muito legal, ele está sendo muito bem tratado por seus pacientes. O Estado do Pará paga ele pra que ele trabalhe no posto de saúde da cidade, o município garante alimentação, moradia e transporte pra que ele possa viver e ter uma vida com qualidade.
            O menino de riso fácil, que sonhava em ser um médico, virou um verdadeiro super herói.

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