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ESCOLA INCLUSIVA - Andreia Silva



Escola inclusiva 

A Educação inclusiva é um tema que vem gerando muitas discussões no Brasil, pois, a partir de Janeiro do próximo ano passa a valer a lei que garante que todo portador de deficiência têm direito ao ensino de qualidade. Essa lei diz que é dever do estado e da sociedade, que toda a pessoa com deficiência tenha um ensino de qualidade garantido. 

A lei entra em vigor em janeiro de 2016 e tem gerado polêmica em Santa Catarina, pois o sindicato das escolas particulares de Santa Catarina redigiu uma carta, dizendo que é contra essa lei e que não se vê obrigado a receber esse tipo de criança. O que vem a ser inconstitucional, já que a lei federal garante a educação desses alunos. 

Dias após essa carta chegar em Brasília, o sindicato teve que se desculpar com as entidades que trabalham com a causa da inclusão, e admitir que foi um erro redigir essa carta, mas não adiantou o pedido de desculpas e nem a revolta criada porque tanto a lei de inclusão quanto o estatuto da pessoa com deficiência foram aprovados. 
Fotos Arquivo Pessoal - Ano 2009 - Ceja

A professora Jaia trabalha em uma das salas do Saede no colégio Arnaldo Moreira Duarte, no bairro Costa e Silva. É um programa de inclusão escolar que funciona, segundo ela, da seguinte forma: a criança com deficiência ou com alguma dificuldade na aprendizagem vai para o ensino regular em um período, e no contra-turno escolar, vai para a sala do Saede, onde faz atividades de leitura, matemática, geografia, a disciplina varia de acordo com o gral de dificuldade que a criança. 

Esse é um programa, segundo ela, que só acontece no Estado de Santa Catarina. O estado ainda mantém o segundo professor, que serve para auxiliar do professor regente. Se algum aluno tiver alguma dificuldade esse professor presta auxilio ao aluno. 

Francine tem 15 anos e está no primeiro ano do ensino médio. Ela conta com a ajuda do segundo professor para adaptar as atividades de acordo com a sua dificuldade. Segundo Fran, como gosta de ser chamada, sua maior dificuldade é copiar no quadro. 

Jaia também explicou a diferença entre o termo segundo professor e professor auxiliar, que é o que é a rede estadual tem. O professor auxiliar serve não só para ajudar os alunos a fazer as tarefas em sala, mas também em atividades como ir ao banheiro, se alimentar, se locomover, dentre outras, já o segundo professor serve somente para adaptar as atividades em sala. Jaia compara o segundo professor com o revisor de um jornal, que filtra aquilo que realmente foi aprendido pelo aluno. 

A professora do Saede afirma que esse projeto do governo estadual tem ajudado muito na inclusão de crianças com deficiência física de aprendizagem e também na interação dessas crianças e adolescentes com os outros indivíduos. 

Fran diz que se sente incluída no recreio e na interação com os outros adolescentes. A única coisa que a menina tem um pouco de receio é fazer educação física, devido alguma coisa sofrida por ela. 

Não são só as crianças e os adolescentes que estão sendo incluídos nas séries iniciais, como jardim de infância e os Ceis também vem trabalhando a inclusão dos pequenos. De acordo com a professora Denise Gilmara Pabst Trindade, 39 anos professora, que em sua turma tem uma criança autista. 

É dentro das possibilidades da criança e do seu interesse que Denise direciona suas aulas. “Eu sempre estimulo a criança para fazer as atividades, como qualquer outra criança. As vezes uso materiais adaptados”, comenta. 

Hoje no Estado de Santa Catarina, além de fazer a inclusão de crianças com deficiência, o estado mantém a inclusão de jovens e adultos com deficiência através do Centro de Educação para Jovens e Adultos – Ceja. 

O colégio Nunes tem hoje 8 deficientes auditivos e um cadeirante. Segundo a diretora Maristela, as aulas para os deficientes auditivos têm um professor titular e um intérprete de libras, para que os deficientes auditivos possam acompanhar as atividades normalmente. Ainda de acordo com a diretora, para que o cadeirante possa acompanhar as aulas com qualidade, foi mandado adaptar uma carteira para que ele pudesse encaixar, o que facilita muito para um cadeirante poder acompanhar e também para que ele possa colocar seus materiais enfim. 

Aumenta o número de deficientes no ensino superior 

O Estado de Santa Catarina vem inovando com outras maneiras de inclusão de pessoas com deficiência, que vão além de inclusão nas escolas de ensino regular. 

O número de deficientes no ensino superior está aumentando. O Estado criou o Artigo 171, que tem uma cláusula que diz que “todo portador de deficiência, morador do Estado de Santa Catarina, tem direito ao ensino superior gratuito”. 

É uma pena que pouca gente saiba disso, se fosse mais divulgado, isso poderia facilitar muito a vida de muitos portadores de deficiência que querem cursar o ensino superior. Além disso, medidas simples como adaptações dos prédios também ajuda muito, mas infelizmente isso fica a cargo de cada instituição. 

Para a estudante de jornalismo Luíza Lima Grilli 18 anos, a inclusão tem ajudado bastante a sua vida acadêmica. Luíza tem deficiência auditiva. A estudante relata que sempre contou com o apoio dos colegas de sala de aula. “Pela minha experiência, a inclusão é a ajuda mútua entre os meus amigos. Eles sempre tem uma paciência enorme pra repetir coisas que não entendo, ou até as vezes me ajudam a responder a chamada quando não escuto”, afirma. 

Outra opção encontrada por Luiza para acompanhar os professores em sala de aula é sentar bem na frente, para poder entender os assuntos com mais facilidade, e também para que o professor fique mais próximo a ela. “Eles sempre se preocupam se possuo alguma dúvida ou se tem alguma coisa que não entendi”, comenta. 

Apesar da ajuda dos professores e colegas, há também situações um pouco difíceis, como, por exemplo, quando o “professor que, por natureza tem o timbre da voz baixa, aí complica pra mim. Mas por reconhecer este meu obstáculo diário, eu faço o meu melhor pra ir atrás, ou tentar entender sempre. Comunico várias vezes com os meus professores por Facebook. Neste semestre tenho me sentido bastante motivada pra continuar, pra buscar, pesquisar e tentar me encontrar no curso”, afirma. 

Luíza relata que na instituição que frequenta não há programas de computador com programas para auxiliar na aprendizagem, mas afirma que busca outras alternativas para compreender melhor os assuntos “Tudo que tenho como auxílio é a internet, é basicamente, pesquisando bastante sobre o assunto visto na aula do dia. Também mantenho o contato constante com o professor nas redes sociais ou no Google Classroom”, ressalta. 

Apesar de ser deficiente auditiva, Luíza não recebe tratamento diferenciado em sala de aula. “Quanto a mim, não recebo tratamento diferenciado. Eu consigo me comunicar normalmente com auxílio do meu aparelho auditivo e leitura labial. As atividades também são as mesmas, tanto práticas quanto teóricas”, afirma. 

Laís de Andrade Kress, 20 anos, estudante universitária tem necessidades especiais. A estudante tem visão subnormal, 13 graus de miopia no olho esquerdo e sem visão no olho direito. 

Ela afirma que a faculdade onde estuda está apta a atender suas necessidades “Não tenho muitos problemas em relação à acessibilidade”, afirma. A estudante relata que as vezes têm dificuldades para acompanhar as aulas “As vezes tenho dificuldades em enxergar o conteúdo que está no quadro, mesmo sentando na primeira carteira”, afirma. 

A estudante revela também que não tem muitas dificuldades com a logística da instituição de ensino superior, mas afirma que poderiam haver algumas adaptações para atender os outros alunos deficientes. “No meu caso, não tenho muitas dificuldades em relação à acessibilidade. Creio, porém, que a faculdade poderia fazer maiores investimentos em sua infraestrutura a fim de atender alunos portadores de deficiência física: fazer mais rampas e melhorar o funcionamento do elevador”, conclui. 

Professora adapta aulas de educação física para atender todos os alunos

 A professora Anete Teichmann é professora de educação física e trabalha a 24 anos a rede municipal de ensino. A professora relata que durante esse período lecionando, já atendeu vários alunos com algum tipo de deficiência, e sempre buscou alternativas para inclui-los em suas aulas. 

Para ela, atender esses alunos é um desafio. “Tive desafios com crianças deficientes. Realizando atividades com cordas com uma turma do quinto ano do ensino fundamental, para incluir uma menina que tinha dificuldade de locomoção, usava muletas na atividade. Pedi para a auxiliar que a acompanhava para que pegasse a menina por uma mão, pois assim ela conseguia permanecer em pé e dar passos, e na outra mão ela e a menina segurariam a extremidade da corda, passariam por cima dela que está no chão e fariam o voleio da corda por cima dela. A menina ficou só sorrisos e ficou a aula toda pulando corda”, relembra. 

Outro relato que a educadora se recorda é de uma aluna da pré-escola que tinha paralisia cerebral. A professora também adaptou suas aulas para incluí-la nas atividades físicas. “Estávamos fazendo a atividade de passar dentro de um túnel colorido, feito um pano. Como a menina não conseguia engatinhar, fiz com que o túnel passasse por cima dela, com isto ela conseguiu vivenciar a mesma imagem que as outras crianças conseguiram”, relembra. 

Atualmente, Anete tem entre os alunos do ensino fundamental uma aluna que é cadeirante. “Nas diversas atividades que já fiz, lembro de uma brincadeira muito conhecida, a dança da cadeira. A participação dela é de forma contagiante. Em roda, deslocava-se com sua cadeira e na hora em que a música parava ela garantia seu lugar colocando a mão na cadeira que ocuparia”, comenta. 

Apesar das adaptações em suas aulas, Anete afirma que ainda há muito o que ser feito nas escolas, para que os alunos com algum tipo de necessidade especial se sintam acolhidos e inseridos. 

                                                                                                 Andreia Silva


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